Exposição solar ao longo dos anos e sua relação com a vitamina D.

Na década de 1930, descobriu-se que a exposição à luz solar ou ultravioleta artificial formava vitamina D3 (colecalciferol) a partir da conversão de um precursor presente no nosso organismo, o 7-dehidrocolesterol (pró-vitamina D), e que este mecanismo mantinha níveis adequados desta vitamina em seres humanos. Nos meados dos anos 60, esta vitamina começou a ser vista como um hormônio e passou a ter uma importância muito maior; iniciava-se ali o entendimento deste micronutriente tão importante, tal como o conhecemos hoje. Atualmente, sabe-se que a vitamina D é muito importante para a saúde do sistema esquelético, pois ela é essencial no processo de manutenção dos níveis de cálcio e fosfato e, portanto, no processo de calcificação dos ossos. Mais de 90% dela é obtida através da produção endógena, iniciada na pele e com a participação da radiação solar 1

Em um ambiente no qual há exposição suficiente da pele à luz solar rica em raios ultravioleta Tipo B (UVB), níveis adequados de vitamina D nunca dependem da dieta; contudo, em nossa sociedade atual, a ingestão de vitamina D voltou a ter importância. Pouca exposição à luz solar e outros fatores ainda não bem estabelecidos, fazem com que uma dieta pobre em Vitamina D seja fator de risco para hipovitaminose D. Com o passar dos anos e a modernização da sociedade, as pessoas foram cada vez mais se confinando em ambientes fechados quando comparados há alguns anos atrás. Antigamente, as pessoas saiam mais, trabalhavam mais ao ar livre, as crianças brincavam nas ruas e tinham maior exposição solar. Hoje em dia, é grande o número de crianças e adolescentes que ficam dentro das casas, assistindo televisão, brincando no vídeo game ou computador, estudando em seus quartos e até mesmo os adultos que vivem confinados em escritórios, o que reduziu significativamente a exposição ao sol 2.

A pesquisadora Nina Jablonsky relata que quase 60% da humanidade vive em cidades, onde a exposição à luz do sol é mínima. Sua frase “Durante 200.000 anos, nós passamos grande parte de nossos dias nos ambientes externos. A partir do último século, no entanto, começamos a gastar a maior parte do nosso tempo dentro das construções”, é muito importante no que diz respeito aos números de hipovitaminose D atuais. Os resultados iniciais de sua pesquisa são preocupantes, pois sua equipe constatou que a falta de radiação ultravioleta está levando a sérias deficiências na quantidade de vitamina D. Além disso, o próprio envelhecimento parece ser um fator de risco para diminuição da vitamina D. No que diz respeito a justificativa biológica é que o envelhecimento reduz a capacidade da pele de sintetizar pró-vitamina D e, no que diz a justificativa social é que o idoso não se expõe ao Sol como deveria. Uso de roupas e pouca exposição à luz solar assim como problemas para realizar as atividades diárias, como perda da mobilidade, têm forte valor preditivo positivo em idosos para deficiência de vitamina D. Estes níveis também são menores em idosos institucionalizados 1.

A posição da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica, em conformidade com a Academia Americana de Dermatologia e outras entidades internacionais, é de que a exposição solar deve ser feita de forma cuidadosa e consciente, com as seguintes medidas de fotoproteção recomendáveis a todos os indivíduos 3:

Evitar a exposição ao sol entre 10 e 15 horas (no horário de verão, entre 11 e 16 horas).
Utilizar meios de proteção físicos tais como chapéus, camisas, guarda-sol.
Utilizar protetores solares, se possível diariamente, com: o Fator de proteção solar (FPS) mínimo de 15 ou ampla proteção UVA e UVB .

Referências
1 - Jablonski, N. Living Color: The Biological and Social Meaning of Skin Color. University of California Press. Out, 2014.
2 - Premaor, M.O , Furlanetto, T.W. "Vitamin D deficiency in adults: to better understand a new presentation of an old disease." Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia 50.1 (2006): 25-37.
3 - SBD-Sociedade Brasileira de Dermatologia. Fotoproteção e vitamina D. Disponível em: https://www.sbcd.org.br/download/Vitamina_D.pdf Acessado em 29/01/2017