Relação da osteoporose e perda muscular com a menopausa/climatério

O climatério é definido pela Organização Mundial da Saúde como uma fase biológica da vida e não um processo patológico, que compreende a transição entre o período reprodutivo e o não reprodutivo da vida da mulher. A menopausa é um marco dessa fase, correspondendo ao último ciclo menstrual, somente reconhecida depois de passados 12 meses da sua ocorrência e acontece geralmente em torno dos 48 aos 50 anos de idade 1.

Os sinais e sintomas clínicos do climatério ainda podem ser divididos em transitórios, representados pelas alterações do ciclo menstrual e pela sintomatologia mais aguda, e não transitórios, representados pelos fenômenos atróficos genitourinários, distúrbios no metabolismo lipídico e redução nos tecidos ósseos e musculares 2.

Quando se diz respeito a composição corporal da mulher, o tecido muscular é o que sofre a maior perda com o processo de envelhecimento (aproximadamente 40%). Apesar da dificuldade em medir adequadamente a massa muscular, em seres humanos, estimativas usando a excreção urinária de creatinina indicam perdas dramáticas de quase 50% da massa muscular, entre os 20 e 90 anos. As principais causas apontadas como responsáveis por essa perda seletiva da massa muscular são a diminuição nos níveis do hormônio de crescimento, que acontece com o envelhecimento e a diminuição no nível de atividade física do indivíduo 3. Não podemos esquecer contudo, que outros fatores nutricionais, hormonais, endócrinos ( como no climatério) e neurológicos estão também envolvidos na perda da força muscular, que acontece com a idade.

Já a osteoporose é caracterizada por diminuição da massa óssea e deterioração na microarquitetura do tecido ósseo, levando à fragilidade mecânica e consequente predisposição a fraturas, até mesmo com trauma mínimo, e dor. Esta pode acometer os homens (até 7%), mas é mais frequente nas mulheres (até 17%). Ela é considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) a “ Epidemia Silenciosa do século XX”. A partir dos 40 anos, o volume de massa óssea começa a diminuir lentamente; mas, por volta dos 49 anos, na mulher, a queda é acelerada pelo hipoestrogenismo (queda do estrógeno) comum no climatério. Essa diminuição é responsável pela perda de massa óssea num percentual que atinge cerca de 2 a 3 % ao ano, nos 10 primeiros anos após a menopausa. Em algumas mulheres, a queda é mais acentuada, o que faz da osteoporose uma das comorbidades do climatério mais temidas por médicos e pacientes, em função do risco de fraturas e diminuição da qualidade de vida 4.

Referências
1 - Ministério da Saúde, MS. Manual de atenção à mulher no climatério. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_atencao_mulher_climaterio.pdf Acessado em 31/01/2017
2 - Fontes, Tereza Maria Pereira, Luiz Felipe Bittencourt de Araújo, and Paulo Roberto Gonçalves Soares. "Osteoporose no climatério I: epidemiologia, definição, rastreio e diagnóstico." Femina 40.2 (2012).
3 - Matsudo, Sandra Mahecha, Victor Keihan Rodrigues Matsudo, and Turíbio Leite Barros Neto. "Impacto do envelhecimento nas variáveis antropométricas, neuromotoras e metabólicas da aptidão física." Revista brasileira de ciência e movimento 8.4 (2000): 21-32.
4 - Marques, Laura. Osteoporose na mulher pós-menopáusica. Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, [S.l.], v. 19, n. 4, p. 361-7, jul. 2003. ISSN 2182-5173. Disponível em: . Acesso em: 26 jan. 2017.